Os trabalhadores e as organizações que tem o amianto como matéria prima, conseguiram impor, por meio do Acordo Tripartite, medidas de segurança que garantem total tranquilidade para manusear o amianto crisotila de forma segura.
Existem diversas razões para se defender o uso do amianto crisotila e as organizações e trabalhadores que participaram do acordo, fazem questão de comemorar esse feito. As principais medidas para o uso seguro do mineral, seguidas a risca por todas as organizações e trabalhadores, são as seguintes:
1. Hoje, diferente do passado, o trabalhador não tem contato direto com o mineral.
2. O amianto crisotila é muito diferente do anfibólio, que já foi banido praticamente no mundo todo.
3. Ocorreram avanços significativos no sistema produtivo das empresas, garantindo a segurança e a saúde no trabalho.
4. Existe respeito à preservação da saúde dos trabalhadores, ex trabalhadores e da população.
5. Os trabalhadores desempenham suas funções em um ambiente de trabalho seguro.
6. Os colaboradores podem parar de trabalhar imediatamente se sentirem-se ameaçados no ambiente de trabalho por conta do amianto crisotila, tendo garantia do emprego.
7. Foi firmado o maior acordo nacional tripartite de segurança e saúde no trabalho, cuja coordenação é de responsabilidade da CNTA.
8. Estas conquistas são frutos da organização dos trabalhadores, através dos sindicatos, federações, Confederação e da CNTA (órgão representativo nacional).
Em novembro de 2010, professores da Unicamp, USP, FMUSP, Unifesp, UFG e ITP, apresentaram os resultados do Projeto Asbestos Ambiental, uma pesquisa sobre a “Exposição ambiental ao asbesto: Avaliação do risco e efeitos na saúde”.
Em resumo, sobre a avaliação ambiental, a pesquisa descreveu qual a exposição ambiental domiciliar ao asbesto, sendo estudados grandes centros urbanos em casas cobertas com telhas de cimento amianto, quantificando possível exposição intradomiciliar em cinco capitais brasileiras e seus possíveis efeitos no sistema respiratório.
Como resultado, notou-se que as concentrações observadas no estudo estão dentro dos intervalos encontrados nos grandes centros urbanos ocidentais e dentro dos limites aceitáveis de acordo com a Organização Mundial de Saúde e as agências internacionais de controle da exposição. Em relação às avaliações de amostra dos moradores estudados, não foram encontradas alterações clinicas, funcionais respiratórias e tomográficas de alta resolução, passíveis de atribuição à inalação ambiental à fibra de asbesto.
Sobre a avaliação ocupacional, foram avaliados 2075 trabalhadores e ex trabalhadores da atividade de mineração de asbesto, dos quais foi possível o acompanhamento longitudinal, por tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) em 405 indivíduos. Foram apresentados como principais resultados: Nenhum caso de alteração interação intersticial compatível com asbestose foi identificado evolutivamente neste mesmo grupo. Não se identificou novas alterações nem progressão do comprometimento pleural ou intersticial nos indivíduos do Grupo exposto após 1980, que fizeram TCAR nos dois estudos. Assumindo-se a TCAR como método de referência, o RXT apresentou elevada taxa de falso-positivo para asbestose e falso-negativo para placas pleurais, tanto na avaliação transversal como na evolutiva dos casos.
Mais uma vez tratamos de dúvidas da população com relação ao amianto crisotila. Se tiver qualquer questionamento relativo ao tema, nos escreva, reservamos sempre um espaço dedicado a essa discussão, com clareza e transparência.
• O que ocorreria se a caixa d´água não levasse amianto?
Hoje, o mercado apresenta várias opções de caixas d’água. A Eternit produz caixas d’água em polietileno (são aquelas azuis, de material plástico), além das de fibrocimento-amianto. Cada uma tem características interessantes, dependendo da necessidade do consumidor. As de polietileno são mais leves, fáceis de transportar, e tem proteção contra raios ultravioletas. Já as de fibrocimento-amianto tem alta durabilidade. Existem caixas d’água de fibrocimento no mercado e que não levam o amianto. A durabilidade é menor, pois a fibra do amianto crisotila é mais resistente. Frisamos que as caixas d’água com crisotila são seguras para o consumidor. As fibras estão fixas em uma amálgama de cimento. Elas só põem causar mal à saúde se respiradas em grandes quantidades e por um longo período. O perigo, em verdade, está em não se fazer a manutenção da caixa periodicamente. A limpeza é extremamente importante para manter a qualidade da água consumida em sua casa e deve ser feita no mínimo de seis em seis meses. Assim como na crosta terrestre, as fibras de amianto estão presentes em todos os corpos d’água (rios, lagos, lençol freático) e já em 1996 a OMS – Organização Mundial da Saúde – afirmava não haver evidências científicas de que o amianto ingerido represente risco à saúde. Confirmando o fato, a contagem de fibras em água não é critério nem parâmetro de potabilidade em nenhum país do mundo.
*Uma expedição geológica foi enviada à região onde se localiza hoje a mina de Cana Brava, ao lado da qual se desenvolveu o município de Minaçu, em Goiás. O objetivo era confirmar as informações de um modesto comerciante de Trombas, atual Serra Dourada, sobre a existência de estranhas “pedras cabeludas”. A expedição verificou que as formações eram amianto crisotila. Estudos revelaram que a crisotila encontrada na Mina de Cana Brava era pura, com dimensões e características que as qualificavam para o uso na produção do cimento-amianto. Fibras com essas características são dificilmente encontradas em outras regiões produtoras.
A reserva estimada na área é suficiente para a exploração por mais 30 anos. A necessidade de mão de obra na mina de Cana Brava deu origem à Minaçu, cidade que hoje abriga cerca de 60 mil habitantes e já é um próspero município, que movimenta a economia local por meio da agricultura, mineração e operação de hidrelétrica.
O amianto crisotila é utilizado por mais de 130 países como matéria-prima para centenas de produtos industriais que incluem dentre outras: massas de vedação, tubos, caixas d’água e telhas.
O Brasil possui uma legislação sobre a utilização do mineral, com dispositivos bastante rigorosos de controle em todas as etapas de produção, do transporte até a comercialização.
Em entrevista ao DM, Rubens Rela Filho, diretor-geral da Sama Minerações Associadas, que extrai o amianto crisotila em Minaçu, Goiás, comentou sobre diversas polêmicas ligadas ao uso e extração desse minério no Brasil.
Diário da Manhã – O manejo do amianto provoca riscos reais ao trabalhador?
Rubens Rela Filho – A exemplo de qualquer outro produto da natureza, a extração de amianto provoca riscos na sua extração e transformação. Hoje, 99,98% do amianto usado no Brasil está nas telhas e nas caixas d’água, e toda operação de transformação do produto no material acabado está perfeitamente controlada. Trabalhamos com base em uma lei federal específica para o amianto crisotílico. É o único mineral que tem uma lei específica determinando limites de exposição do trabalhador durante o seu manejo.
DM – As empresas conseguem se adaptar totalmente às exigências legais?
Rela – O elevado grau de exigência levou as 12 empresas de mineração e transformação do amianto em atividade no Brasil a um nível de excelência muito grande. Hoje, podemos dizer com segurança que a operação é perfeitamente controlada, e há mais de 30, 40 anos não aparece nenhum caso de enfermidade causado pelo amianto no Brasil, nenhuma alteração pulmonar. Ninguém que começou a trabalhar depois de 1980 apareceu até hoje com algum caso de doença, o que nos leva a ter certeza que podemos perfeitamente continuar trabalhando.
DM – Que males o manejo inadequado pode causar?
Rela – Pesquisas realizadas no passado mostravam que o crisotila poderia causar problemas respiratórios se ele fosse aspirado em grandes quantidades.
DM – Usar telhas ou caixas d’água fabricados à base de amianto pode provocar doença?
Rela – Este é outro grande mito. Falar em doença provocada por amianto na telha ou na caixa d’água soa até meio jocoso. Desde 1937, 50% das casas brasileiras são cobertas com telhas de amianto. No Brasil, há um número enorme de residências populares, simples, a maioria delas sem forro. Famílias inteiras moram embaixo direto da própria telha. E até hoje não apareceu nenhum doente por uso de telha de amianto em sua casa. Da mesma forma, 60% das residências brasileiras têm caixa d’água com amianto. Caixa d’água com amianto é um produto excelente, porque ela tem a mesma propriedade da telha cerâmica que fica na cozinha: deixa a água sempre fresquinha, porque permite a troca de calor. A água na caixa de amianto é limpa e totalmente própria ao uso. E, da mesma forma, até hoje não tem registro de que ninguém tenha ficado doente porque tem uma caixa d’água de amianto.
DM – O que há, na sua opinião, é um amontoado de mentiras?
Rela – Tudo que se fala são mentiras, mentiras, mentiras, só que repetidas dezenas de vezes. O problema é que existe tanto espaço para mentira na mídia que esta acaba se tornando verdade. Algumas pessoas não têm conhecimento do que falam. Se o amianto fosse tão ruim como se diz, ele já teria provocado uma epidemia, porque além de 50% das casas cobertas por telhas de amianto, anualmente são 2 milhões e meio de metros quadrados de telhas de amianto que são colocadas no Brasil e mais 50% e 40% de todas as telhas vendidas.
DM – A quem interessa espalhar estas informações que o senhor garante serem falsas?
Rela – Ocupamos um mercado superinteressante, que interessa aos concorrentes. O problema é que eles não têm qualidade, durabilidade e preço que oferecemos com o amianto. Então, eles querem sempre que o amianto seja banido para colocar o produto deles no mercado. Defendemos uma postura justa: quem tem competência se estabelece no mercado e vende seu produto. Simples assim. O que não é correto é tentar tirar o produto dos outros do mercado por meio de mentiras.
DM – Mas morreram trabalhadores que manusearam amianto no passado, isso é fato.
Rela – Nos anos 60, morriam em média quatro ou cinco pessoas por mês na Companhia Siderúrgica Nacional (CSI). As minas de carvão do Sul do País mataram outro tanto de trabalhadores com antracose. Nas minas de extração e indústria de transformação de amianto também havia risco, mas a partir do momento que investimos no controle, as doenças desapareceram. Sabemos perfeitamente o risco que o produto oferece, e podemos garantir que é perfeitamente controlável e útil à realidade brasileira.
DM – Além de concorrentes, há vários grupos de ambientalistas que fazem críticas ao amianto.
Rela – Pois é. A gente sempre tem dúvidas se determinados grupos de ambientalistas estão sendo sinceros em suas preocupações e de onde vem sua resistência ao amianto. Em primeiro lugar, é bonito ser contra alguma coisa. Ou isso, ou eles estão sendo alimentados por estes interesses econômicos. Existem outros interesses econômicos por trás.
DM – Na Europa, a discussão sobre a proibição do amianto é forte.
Rela – Lá, o amianto foi usado de maneira equivocada. Na 2ª Guerra Mundial, o produto foi pulverizado a seco nas paredes, e isso provocou enorme exposição das pessoas que aplicavam o amianto. E o fizeram daquela forma porque não sabiam que fazia mal. Estavam expostos a 1.000 fibras por cm³, enquanto hoje trabalhamos com limite de 1 fibra por cm³. O que este cenário provocou? Um grande lobby de empresas de demolição junto a ambientalistas. Elas estão interessadíssimas na proibição, porque vão ter serviço. Elas transformam sua casa em um mausoléu. Fecham-na com uma cúpula plástica e montam todo um aparato para retirar o produto das paredes. O Brasil nunca usou este tipo de aplicação, e por isso não tem por que transferir este medo coletivo para cá. Vivemos outra realidade.
DM – Como vocês lidam com esta guerra de informações na opinião pública?
Rela – Quero fazer um desabafo: a mídia, no geral, não quer saber quando você vai dizer que uma coisa é boa. Dão mais espaço para o que é ruim, para o que faz mal, para o que mata e é perigoso. Nós cumprimos a legislação e temos o direito de trabalhar. Agora, o inimigo sempre vai existir: tem o interesse econômico do fabricante, o desconhecimento dos ambientalistas e uma rede internacional de advogados que financia conferências contra o amianto no mundo, para que um número cada vez maior de famílias recorra à Justiça contra mineradoras de crisotila. Nos Estados Unidos, vivem procurando pessoas que trabalharam em empresas de amianto para convencê-las a entrar na Justiça e pedir indenização. Já fecharam 47 empresas norte-americanas por conta disso. É um roubo. Quando falam que morrem 100 mil pessoas no mundo, é mentira. No Brasil, há gente falando que existem 2,5 mil doentes reconhecidos pela empresa tal, morrem não sei quantos de mês anterior, mas nunca ninguém deu nomes. Se você procura nos órgãos oficiais de saúde dos Estados, você não vai encontrar um doente registrado por amianto. Aí, então, o discurso deles mudam. Dizem que o erro é dos médicos, que não sabem diagnosticar direito. Esta guerra de informações não vai terminar nunca, porque se a gente faz uma pesquisa para validar o uso do amianto, eles desqualificam, dizem que não vale. É ridículo. Estamos em contato com as melhores universidades brasileiras.
DM – Que pesquisas fizeram?
Rela – Fizemos uma pesquisa com mais de 50% das pessoas que trabalharam com amianto no Brasil. De 1980 para frente, não há registro de nenhum caso de doença provocada por amianto. Essas pessoas foram examinadas pelos melhores médicos das três melhores universidades brasileiras: Federal de São Paulo, Estadual de São Paulo e Unicamp.
DM – No meio desta guerra de versões, como tem se posicionado o poder público?
Rela – No caso de Goiás, recebemos total apoio suprapartidário ao nosso trabalho. De maneira geral, contamos com o poder. O que nós temos percebido hoje é uma certa movimentação corporativista da Justiça do Trabalho, não no Estado de Goiás, mas em outros Estados brasileiros e na Justiça Federal. Lamento muito. A Justiça se propõe cega, e não pode agir por idealismos.
DM – Mudando um pouco de assunto, a crise financeira de 2008 afetou o setor de mineração de que forma?
Rela – Afetou a mineração de uma maneira bastante pesada. Alguns minerais brasileiros sofreram perda de preço internacional. O níquel sofreu uma perda muito grande, o aço teve um retorno, estava na fase de aumento. Os outros eu não sei, mais estes dois sofreram. A Sama, especificamente, não sofreu, porque fornecemos muitos produtos para países em desenvolvimento, como Índia, Tailândia, Sri-Lanka, Malásia, México, Colômbia. Temos um mercado consolidado. Além disso, fomos beneficiados com as obras do PAC, no Brasil.